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A economia entra no vermelho com o coronavírus

Wagner Bragança


Com casos já confirmados em 49 países, incluindo o Brasil, o coronavírus batizado Covid-19 amplia seu rastro para além da saúde humana. A economia mundial entrou em estado de alerta geral com a previsão de baixa do crescimento do produto interno bruto chinês e o mercado financeiro reagiu levando as bolsas a caírem em todos os cantos do planeta e o dólar a atingir o patamar de R$ 4,476 no Brasil, a maior cotação desde o Plano Real.

Todos os dados envolvendo a disseminação da doença são preocupantes do ponto de vista econômico. O ano mal começou e a expectativa de crescimento do PIB brasileiro já vem sendo projetada para baixo. As exportações brasileiras de minério de ferro e carnes, por exemplo, caíram, especialmente porque os chineses são grandes parceiros comerciais brasileiros nestes dois quesitos. Paralelamente, os setores automotivos, de produtos ópticos e de celulares já começam a sentir a baixa de estoque com a paralisação da produção na China.

Enquanto a Organização Mundial de Saúde reavaliou para “muito alto” o risco de disseminação do Covid-19 pelo mundo e a China anota uma redução dos casos positivos da doença, o mercado financeiro global estremece. A bolsa de Nova York operou em baixa ao longo de toda a semana e a brasileira seguiu a mesma tendência. Os investidores, com medo de somarem mais prejuízo, estão vendendo suas carteiras de aplicações, desprezando o conselho dos especialistas que recomendam cautela e afirmam não ser este o momento para deixar o mercado.

Não há lei que nos proteja dos efeitos do coronavírus em nosso bolso. A economia real foi atingida na largada do ano. Muito deixou de ser produzido na China e consumido no mundo. O primeiro trimestre deve resultar em balanços negativos das empresas de todo o planeta. O dia a dia das companhias com operações globalizadas vem mudando. As brasileiras, como bem revelou reportagem de O Globo, têm cancelado viagens internacionais, fazem reuniões por teleconferência e adotaram o trabalho em casa dos funcionários que atuam em áreas afetadas pelo Covid-19. As montadoras de celulares brasileiras, que dependem de componentes chineses, paralisaram linhas de montagem em fevereiro. Em compensação, os fabricantes de máscaras respiratórias e de álcool gel não têm dado conta do crescimento da demanda no mercado nacional e operam sem ociosidade.

As empresas aéreas estão sendo profundamente atingidas. Suas ações nas bolsas globais caíram e dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo indicam que mais de 200 mil voos foram cancelados desde a disseminação da doença. Em resumo, a demanda internacional por viagens aéreas deve apresentar sua primeira queda desde 2009 e as indústrias tendem a amargar uma perda de US$ 29 bilhões.

Enquanto as multinacionais farmacêuticas investem pesado no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus mutante e iniciam os primeiros testes em abril, o Brasil antecipa a vacinação contra a gripe, que vai começar em 23 de março e não mais em abril, como previsto anteriormente. Não evita o coronavírus, mas ajuda a impedir uma sobrecarga no nosso sistema de saúde – que mal consegue atender as necessidades básicas dos brasileiros – por “casos suspeitos” já que os sintomas de gripe e do Covid-19 são parecidos.

Os reflexos econômicos da doença no Brasil devem se ampliar. A Secretaria de Tesouro vai rever a projeção do crescimento do PIB brasileiro, fato que grandes consultorias internacionais e bancos já fizeram. O Bank of America, só para citar um, reviu o número duas vezes. Caiu de 2,4% para 1,9%. Mas o fato de a Secretaria de Tesouro entrar nesse processo é preocupante. Quando o órgão reduz a previsão do crescimento do país, obriga o governo a reestimar receitas e despesas previstas no Orçamento e, pior, a contingenciar recursos, ou seja, reduzir gastos e investimentos de todos os Ministérios. É uma cadeia que se movimenta e acaba provocando impacto em toda a vida nacional.

Além disso, a alta constante do dólar, como já anotamos aqui, deve encarecer a gasolina, os aluguéis, o vinho importado, o custo do celular, as dívidas das empresas, os investimentos, as contas públicas, as viagens para fora do país.

Diante deste cenário, o Conselho de Política Monetária pode até reduzir, mais adiante, a taxa de juros para algo em torno de 4% ao ano. Mas não vai impedir que nosso crescimento seja menor este ano. E, como a tensão entre o governo e o Congresso continua alta, dificilmente teremos avanço na reforma tributária – o Planalto ainda não enviou sua proposta – e administrativa. O Brasil entrou em compasso de espera. O sinal de alerta está no vermelho!

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